sábado, 11 de junho de 2016

Tradução de "Visitando o pavilhão sul do Templo Chongzhen", de Yu Xuanji

ORIGINAL:
游崇真观南楼,睹新及第题名处

雲峰滿目放春晴
歷歷銀鉤指下生
自恨羅衣掩詩句
舉頭空羨榜中名

TRADUÇÃO (minha)
Visitando o pavilhão sul do Templo Chongzhen, onde posso ver nomes de candidatos exitosos no exame

Nuvens baixam, contemplo a primavera
Cada traço é escrito em clara prata
Minhas vestes encobrem os meus versos
A mim restou vazia inveja aos nomes

Sou grato à Selina Chen por ter me auxiliado no entendimento do poema.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Tradução do Epigrama XXXVI de Ben Jonson (To the Ghost of Martial)

ORIGINAL:
XXXVI — TO THE GHOST OF MARTIAL
Martial, thou gav'st far nobler epigrams
To thy DOMITIAN, than I can my JAMES :
But in my royal subject I pass thee,
Thou flatter'dst thine, mine cannot flatter'd be.

TRADUÇÃO (minha)
XXXVI — À SOMBRA DE MARCIAL
Epigramas cedeste ao teu Domiciano,
Marcial, que eu jamais logrei brindar a Jaime:
Mas se cortejo podes of'recer ao vosso,
Felicito-te, pois Jaime adular não posso.

A tradução é de 2015, mas modifiquei a solução que havia encontrado para o dístico final. Como o mestrado vem extraindo a criatividade literária que me restava (o mesmo que a escola fez com minha curiosidade quando eu era apenas uma criança de 5 anos), é bom buscar exercitar essa criatividade traduzindo algum poema. Espero fazer novas traduções ao longo deste ano.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

1

Não te iluda, ó menino, com promessa,
que o Amor é categórico – a dispensa!
Lembranças te trarão saudade imensa,
mas quem, do amor, desvela seus mistérios,
                                  recusa a pressa!

Também não queira instar prônubo ânimo
a quem não quer calar a juventude.
Quem, do amor, extrair a plenitude
terá viço maior e a longo prazo
                                  será magnânimo.

Outrora, bom menino, a teimosia
insulou, neste peito, amor descrido.
E, tão logo acabou, fui convencido
de que melhor ficava co as lembranças
                                  que co a apatia.

Agora vá, menino! E, embora manco,
procura, neste amor, rejubilar-te.
Viver de amor requer invento e arte;
e, por Deus!, que aptidão não falte, pois
                                  o Amor é franco!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

As Perseidas

Percorrem rápidas o espaço-tempo
as famosas Perseidas elegantes
Imóveis contemplando o universo
permanecem anônimos humanos

Observando os pombos na cidade

pombos tentam voo
carros nem desviam
um pombo infla o peito
em meio ao infortúnio

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Elegia II

Esta elegia foi inspirada no amor, nos meus estudos e na quinta das Elegias Romanas, de Goethe.

II

Cá, nesta terra, eu sigo o bom preceito:
a Antiguidade dita a experiência,
e o Moderno corrige os velhos erros.
Cá, tão bem me aprofundo na ciência
que contemplo, nas artes que produzo,
e na filosofia que pratico.
Aqui, em meio os bosques e rochedos,
Amor me comunica os seus mistérios.

É cá, neste lugar, que as diferenças
somem: não há Antigo, e nem Moderno;
aqui o espírito é também matéria.
Todos desejam que o Amor se faça
manifesto, entre todos, nesta aldeia.

Não me importa se o Mundo é imperfeito,
mas sim se aprovo nele os bons momentos.
Eu passo o dia junto à minha amiga.
Ficamos contemplando o pôr-do-sol,
e nas horas noturnas nós brincamos,
ousando conhecer o que é oculto
no corpo. Seus mistérios, orientados
pelo Amor, manifestam-se no leito.

A humanidade um dia entenderá
que ao corpo não se deve impor limites.
Eu hoje asserto com clareza grande
que metade do homem que hoje sou
eu devo ao mundo que se encontra aí...
A outra metade eu devo ao meu amor.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Soneto 7

Monarca, a borboleta, vai mudando,
queixando-se da vida passageira...
E em queixumes não vive a vida inteira
o homem a sua morte tateando?

Não vês que a vida é jogo desertando
constantemente a sorte, de maneira
que a Parca deusa, a vida costumeira
bordando, o fado vai nos destinando?

A morte, meus irmãos, é coisa certa,
quer para o valoroso ou parco humano,
ou para a consciência que em nós fez-se.

Portanto, a vida nossa que deserta
é do comum efeito do ano e ano
que passa pela gente como a messe.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Soneto 6

Estava Leda, mansa, um triste dia
banhando suas pernas numa fonte;
o olhar ia sumindo no horizonte
quando avista ave bela – um cisne via!

A jovem Leda o cisne seduzia,
e aos poucos Leda foi curvando a fronte.
A serpe, que matou a Laocoonte,
consumou num prazer que não soía.

Estranho o ato da ave manifesto,
mas era, o cisne, Júpiter fingido,
num outro ato seu mui desonesto.

Das ninfas sedutor já conhecido,
agora tinha Leda num só gesto
e, co ela, filho Pólux dividido.